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Morning Call

Governo planeja criação de imposto sobre transações digitais como alternativa à CPMF

Quando os soviéticos tomaram Berlim em 1945, praticamente encerrando a Segunda Guerra Mundial, o povo alemão e o resto do mundo se viram finalmente livre do nazismo. Na época, eram bastante comuns as fotos de Adolf Hitler espalhadas pelas paredes da capital alemã, afinal, a propaganda era a alma do negócio e o ministro alemão da propaganda, Joseph Goebbels sabia muito bem disso.

Anos mais tarde, a construção do muro de Berlim, delimitou os territórios que foram cedidos á União Soviética (Alemanha Oriental) e aos aliados EUA e Grã-Bretanha (além de um pequeno território cedido aos franceses). O regime comunista se mostrou afeito para com algumas barbáries praticadas pelas tropas nazistas, como a perseguição ideológica e até mesmo a manutenção de alguns campos de concentração. As fotos de Stalin, o primeiro-ministro soviético, foram aos poucos, sendo coladas sobre as fotos de Hitler, fazendo com que os alemães rapidamente descobrissem o óbvio: Só havia mudado o bigode.

Na tarde de ontem, o ministro Paulo Guedes falou a jornalistas com seu habitual otimismo para com a retomada do crescimento econômico brasileiro, além de relembrar o compromisso com a diminuição do gasto público e a aceleração da agenda de privatizações em 2020.

Ao falar sobre a CPMF, o ministro descartou a intenção de trazê-la de volta, mas afirmou que a equipe estuda uma proposta de taxar as transações digitais. O mercado, ou não entendeu, ou fez de conta que não entendeu, tendo inclusive acelerado as altas nos papéis dos bancos.

Mas a verdade é que o governo, personificado na pessoa do ministro Paulo Guedes, segue convicto de que tarifar transações financeiras é mesmo o melhor caminho, fazendo-me lembrar da nossa historinha de abertura: O governo quer sim, voltar com a CPMF, só mudou o bigode.
Em relação à Reforma Tributária, Guedes tentou justificar a incrível demora e a incapacidade de sua equipe, em entregar o texto com a proposta do executivo: “É uma tolice mandar outra PEC para tumultuar o jogo”.

O ministro só esqueceu de dizer que a ideia, já era uma tolice há três meses, quando este prometeu a entrega do texto “nas próximas duas semanas”. Resta agora correr atrás do prejuízo e a boa notícia é de que Rodrigo Maia confirmou a intenção de votar a Reforma Tributária ainda no primeiro semestre de 2020. Resta saber agora, se a Reforma Administrativa fica em segundo plano ou se os políticos terão capacidade de tramitar duas reformas ao mesmo tempo.

Por aqui, as páginas policiais voltaram a ser destaque no mundo político, com os mandatos de busca e apreensão contra Flávio Bolsonaro, Queiroz, familiares e a própria ex-esposa do presidente Jair Bolsonaro. Mas apesar de todas as evidências, de que o Senador promovia uma farra com dinheiro público, distribuindo e cobrando comissão de salários a funcionários que nunca apareceram para o trabalho, as defesas dos envolvidos e boa parte do eleitorado Bolsonarista, segue defendendo a ideia de perseguição política.

Praticamente, os mesmos argumentos dos opositores do governo, simpatizantes de outro político de caráter, no mínimo questionável.

A propaganda, segue sendo a alma do negócio. Só mudou o bigode.

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